Ramagem diz que nunca teve acesso às senhas de sistema de monitoramento
26/01/2024

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Sobre o celular e o computador da Abin encontrados em gabinete, o deputado afirmou, em entrevista à GloboNews, serem 'aparelhos antigos, sem utilização '.
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), alvo de buscas, nesta quinta-feira (25), disse que nunca teve acesso às senhas de sistemas de monitoramento para espionar autoridades públicas e cidadãos comuns. A declaração foi dada durante entrevista à GloboNews nesta tarde.
"Nós da direção da Polícia Federal, policiais federais que estavam comigo, nunca tivemos a utilização, execução, gestão ou senha desses sistemas", pontuou Ramagem, que também foi delegado da Polícia Federal (PF).
A operação "Vigilância Aproximada" da PF investiga o uso ilegal da ferramenta de espionagem FirstMile pela Abin. A suspeita é que, durante o governo Bolsonaro, a agência — que era chefiada por Ramagem, um amigo próximo da família Bolsonaro – tenha usado o software israelense para monitorar, ilegalmente, opositores.
“Quando nós fomos ouvir o diretor responsável pelas senhas e pela gestão para demonstrar como funciona ou para melhor funcionar (...) não estava tendo isso.Quando se negaram a me informar como eles estavam trabalhando com a ferramenta, eu exonerei esse diretor, que era o chefe dessa ferramenta, e encaminhei todo o procedimento para a corregedoria”, mencionou o deputado.
Sobre o celular e computador encontrados no gabinete dele e que pertenciam à Abin, Ramagem afirmou que se tratam de equipamentos antigos, sem utilização.
"Poderia devolver, mas estava ali, não sabia, pensei que fosse da Polícia Federal antiga, que eu tenho direito à custódia, eu tinha direito à custódia, à cautela. São computador antigo e telefone antigo, sem nenhuma utilização, há mais de anos, não é nem ano, sem entrar em qualquer tecnologia da Abin, sem ter contato com sistemas da Abin", disse.
Questionado se, mesmo fora da agência, ele continuava recebendo informações privilegiadas, Ramagem afirmou: "Logicamente, eu fiz amigos lá, tenho contato, mas não informação de investigações e nada que revele isso".
A operação desta quinta percorreu endereços suspeitos em Brasília, Juiz de Fora, São João Del Rei e Rio de Janeiro.