Tarifaço: setor de máquinas diz não apoiar reciprocidade e defende ampliação de programa de crédito para empresas afetadas

22/07/2026

Fonte: Por Kellen Barreto, Alexandro Martello, g1 — Brasília

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Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros nesta terça-feira (21).

Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmaram nesta terça-feira (21) que são contra a aplicação, pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de reciprocidade tarifária sobre produtos americanos exportados ao Brasil.

Os representantes do setor de máquinas e equipamentos se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda).

O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC) está realizando uma série de reuniões com setores que devem ser mais afetados pelo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. O objetivo é encontrar medidas para diminuir os efeitos da taxação norte-americana na economia do país.

""A reciprocidade não é tão simples. Não somos favoráveis. Temos que continuar pela via diplomática e empresarial", disse o presidente da Abimaq, José Velloso, após o encontro com integrantes do governo Lula.

 

Representantes da Abimaq também defenderam a ampliação do programa Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito com melhores condições para os setores afetados pelo tarifaço. O governo já indicou que deve reforçar esse programa.

 

 

O setor de máquinas e equipamentos também pede o reforço das negociações diplomáticas e da busca por novos mercados, além da adoção de medidas para ampliar a competitividade da indústria nacional.

José Velloso, da Abimaq, disse que, apesar das novas barreiras comerciais, o setor vem ampliando as vendas para o exterior, alcançando um patamar recorde.

 

"Estamos aumentando em 12% as exportações nos últimos 12 meses. Nunca exportamos tanto como agora, mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos", afirmou.

 

O presidente da Abimaq disse que a tarifa adicional de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil tem um impacto maior sobre a competitividade da indústria nacional. Na prática, explicou, a medida torna as máquinas brasileiras mais caras para os compradores americanos em comparação aos produtos fabricados em outros países.

Além disso, os Estados Unidos possuem uma indústria de máquinas que concorre diretamente com a brasileira. Com isso, as empresas do Brasil passam a disputar espaço no mercado americano em condições menos favoráveis.

"Quando a tarifa é aplicada apenas ao Brasil, nossos produtos ficam mais caros e perdem competitividade em relação aos concorrentes internacionais", afirmou Velloso.

Segundo ele, a situação é diferente da sobretaxa de 12,5% aplicada a diversos países. Nesse caso, os concorrentes internacionais enfrentam as mesmas condições.

"Quando a tarifa é para todos, o Brasil perde menos competitividade em relação aos outros fornecedores. O problema maior é quando a taxa é específica para o Brasil", frisou.

Velloso afirmou que a diversificação dos destinos das exportações tem ajudado a compensar a redução das vendas para os Estados Unidos.

"Do ponto de vista econômico, não deveria haver tarifaço. Existe um componente político, e o que vai resolver isso é a diplomacia do Estado e a diplomacia empresarial", disse.

 

Apesar de não ter sido definido um prazo para uma resposta, o governo se comprometeu a analisar as propostas apresentadas pelo setor e a dar um retorno sobre as medidas sugeridas.

 

Entenda o caso

 

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).