Ameaças, drones de vigilância e visita da CIA: 5 sinais de que Cuba entrou de vez no radar dos EUA
18/05/2026

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Crise energética na ilha, pressão do governo Trump e contatos entre autoridades mostram o aumento das tensões entre Havana e Washington.
Cuba enfrenta uma grave crise energética desde o fim de janeiro, quando os Estados Unidos passaram a ameaçar com represálias qualquer país que forneça petróleo à ilha.
Desde então, a escassez de energia fez com que os apagões no país se intensificassem. Em Havana, os cortes de energia já passam de 19 horas por dia, enquanto em algumas províncias a falta de luz dura dias inteiros.
Nesta quarta-feira (14), o governo cubano chegou a anunciar que as reservas de combustível da ilha "se esgotaram", o que gerou protestos em Havana.
A tensão entre Cuba e Estados Unidos aumentou ainda mais nas últimas semanas. O governo Trump vem dando sinais de que Havana voltou ao centro de suas atenções. Ao mesmo tempo, autoridades dos dois países alternam declarações de aproximação e de confronto.
Ameaças do governo Trump
Em meio à crescente tensão entre Cuba e EUA, autoridades norte-americanas passaram a fazer declarações sobre uma possível operação militar para "assumir" o controle da ilha caribenha.
Em março, Trump afirmou a jornalistas na Casa Branca que seria uma “honra” tomar Cuba.
"Eu realmente acho que seria uma honra para mim tomar Cuba. Seria ótimo. Uma grande honra. Eu posso libertá-la ou conquistá-la, acho que posso fazer o que quiser com ela", declarou no Salão Oval.
No início de maio, o presidente voltou a dizer que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.
Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez disse que "nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba".
Poucos dias depois, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o atual cenário em Cuba era “inaceitável” e afirmou que Washington iria “resolver o problema”, sem dar detalhes.
No dia seguinte, o governo cubano classificou as declarações americanas como “perigosas” e como um “crime internacional”.
Aumento dos voos de 'reconhecimento'
Agências militares e de inteligência dos EUA aumentaram nos últimos meses os voos de “vigilância” em áreas próximas a Cuba, segundo funcionários americanos ouvidos pelo jornal “The New York Times”. A movimentação inclui aeronaves e drones.
Especialistas afirmam que os voos funcionam como uma estratégia de intimidação contra o governo cubano, uma forma de demonstrar força e aumentar a pressão psicológica sobre Havana.
Segundo um funcionário militar americano ouvido pelo jornal, o objetivo é ampliar a pressão política e econômica sobre Cuba, e não preparar uma operação militar imediata.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, se reuniu nesta quinta-feira (14), em Havana, com autoridades do Ministério do Interior cubano.
A CIA disse ter transmitido uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão dispostos a discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.
Segundo a mídia estatal Cubadebate, os dois lados demonstraram interesse em ampliar a cooperação entre as agências de segurança e de aplicação da lei.
Além disso, o governo cubano afirmou que a reunião buscou melhorar o diálogo bilateral e reiterou que Cuba “não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.
O encontro ocorreu no mesmo dia em que um avião do governo americano foi visto no aeroporto internacional de Havana (veja na imagem abaixo).
Oferta de ajuda
O Departamento de Estado dos EUA afirmou nesta quarta-feira (13) que está pronto para oferecer US$ 100 milhões em ajuda direta ao povo cubano, caso Havana autorize.
Segundo o governo americano, os recursos seriam distribuídos com apoio da Igreja Católica e de organizações humanitárias independentes.
Um dia antes, Trump afirmou que Cuba estava “pedindo ajuda” e disse que o governo americano iria “conversar” com a ilha. Ele também chamou o país de “fracassado”.
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