O que a pesquisa Genial/Quaest revela sobre o perfil dos eleitores indecisos
21/07/2026

COMPARTILHE
A 76 dias de um pleito que se anuncia fortemente polarizado, saber quem é o eleitor que ainda não decidiu em quem vai votar é fundamental tanto para o presidente Lula como para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um recorte da última pesquisa Genial/Quaest feito a pedido da equipe da coluna mostra quem é esse eleitor e onde encontrá-lo. Os indecisos são principalmente mulheres, moram na região Sudeste, professam a religião católica, têm renda entre dois e cinco salários mínimos e se definem como independentes, sem alinhamento automático nem à esquerda nem à direita.
Divulgada na última quarta-feira (15), a pesquisa mostrou que Lula ampliou para doze pontos percentuais a vantagem sobre Flávio no primeiro turno – 40% a 28%, ante 39% a 29% do levantamento de junho.
Os indecisos representam uma fatia expressiva de 11% que pode definir o resultado das urnas.
Desses, 66% são mulheres, ante 34% de homens — ou seja, de cada três eleitores indecisos no país, dois são mulheres e um é homem.
“São mulheres que não têm filiação ideológica. Ou seja, é a mulher pragmática, que está preocupada com o custo de vida, mas que quer ser respeitada. A disputa está aí”, disse à equipe do blog o CEO da Quaest, o cientista político Felipe Nunes.
“Elas rejeitam o governo Lula, mas não encontram no Flávio Bolsonaro uma alternativa. Ou seja, estão indecisos porque querem uma alternativa.”Já a desaprovação à administração petista possui índices semelhantes dos dois lados: 46% entre os indecisos e 47% entre os não-indecisos. E 19% dos indecisos não souberam ou não responderam sobre o que acham do governo Lula, um patamar seis vezes superior ao dos não-indecisos.
Os números da Genial/Quaest e de outros institutos de pesquisa têm apontado que Lula angaria mais apoio entre mulheres e Flávio, entre homens, r
Em meio à guerra com a madrasta Michelle Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na última quinta-feira, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo.
A iniciativa foi anunciada em uma live ao lado de Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e a favorita de Flávio para compor sua chapa presidencial ou o Ministério da Fazenda, caso eleito.
Religião
No levantamento da Genial/Quaest, 44% dos indecisos são católicos, 30% evangélicos, 17% não têm religião e 8% seguem outras denominações religiosas.
Quando se trata do posicionamento político, 53% dos eleitores indecisos se declararam “independentes”, 22% de direita não bolsonarista e 14% de esquerda não lulista. Há mais independentes entre os indecisos do que entre os não-indecisos, ou seja, aqueles que já tomaram a sua decisão – seja votar em algum candidato, anular, votar em branco ou simplesmente não comparecer às urnas. Nessa parcela, os independentes são 29%.
No recorte por região, 53% dos indecisos vivem na região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Desses três estados, Lula derrotou Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais em 2022 apenas em Minas, e por uma margem apertadíssima: 50,2% a 49,8%, o equivalente a 50 mil votos válidos de diferença.
Tradicional reduto petista, o Nordeste concentra 16% dos eleitores indecisos, mesmo índice verificado na região Sul, onde o bolsonarismo é mais forte. Já o Centro-Oeste representa 15% dos eleitores que ainda não sabem em quem votar para presidente da República.
Na divisão de faixa etária da Quaest, 41% dos indecisos possuem entre 16 a 34 anos e outros 41% se situam no grupo entre 35 a 59 anos. Os indecisos com 60 anos ou mais representam bem menos – apenas 18%.
Rejeição
O recorte da Quaest também traz notícias ruins tanto para o presidente Lula quanto para Flávio Bolsonaro – e lança luz sobre as dificuldades dos dois em atrair esse eleitor a menos de três meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
- Eleições 2026: Os dois apelos de Jair Bolsonaro para Michelle
- E ainda: Comandante do Exército escolhe militar para auxiliar TSE por até 23 meses
Uma delas é o índice de rejeição de Lula e Flávio, que entre os indecisos é superior ao verificado entre os não-indecisos.
Entre os eleitores não-indecisos, ou seja, os que já sabem como vão votar, a rejeição de Lula e de Flávio é de 50% e 56%. Quando se considera apenas os indecisos, os números alcançam o patamar de 56% e 61%, respectivamente.
No caso dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que tentam se cacifar como uma espécie de “terceira via”, o cenário é diametralmente oposto — os dois possuem rejeição menor entre os indecisos do que o verificado no restante do eleitorado, o que mostra que os dois podem se beneficiar da rejeição ao petismo e ao bolsonarismo.
Conforme o levantamento da Genial/Quaest, a aprovação do governo Lula também é menor entre os indecisos — de apenas 35%, ante 50% quando se considera o restante do eleitorado, o que contribui para a dúvida sobre o voto na urna.
Já a desaprovação à administração petista possui índices semelhantes dos dois lados: 46% entre os indecisos, 47% entre os não-indecisos. E 19% dos indecisos não souberam ou não responderam sobre o que acham do governo Lula, um patamar seis vezes superior ao dos não-indecisos.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
eforçando uma tendência já verificada nas eleições de 2022 de diferenças de escolha entre o eleitorado masculino e feminino. As mulheres formam a maioria do eleitorado brasileiro – 52%.
VEJA TAMBÉM

























