Como foram as primeiras horas de Bolsonaro na Papudinha
19/01/2026

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As primeiras horas do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, foram marcadas por banho de sol, crises de soluço e pela manutenção de um hábito que ele adota desde que foi preso no âmbito das investigações da trama golpista: a alimentação com refeições trazidas por auxiliares e familiares, ao invés da comida preparada pela própria unidade prisional.
Na Papudinha, Bolsonaro tem direito a cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia) elaboradas por uma empresa contratada pelo governo do Distrito Federal, enquanto na superintendência da PF em Brasília eram apenas três (café da manhã, almoço e jantar). Mesmo assim, o ex-presidente segue preferindo a comida preparada pelo seu entorno, que costuma seguir recomendações médicas, com baixo teor de gordura.
O ex-presidente foi alocado em uma cela do Bloco B da Papudinha, o mesmo onde já estão outros condenados por envolvimento no 8 de Janeiro, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. Mas, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro está isolado e proibido de manter contato com qualquer preso.
Ao determinar a transferência de Bolsonaro da superintendência da PF para a Papudinha, Moraes alegou que a mudança permitirá ao ex-presidente mais tempo de visita com familiares e um maior número de refeições diárias, além da realização de exercícios e de “banho de sol” quando quiser, inclusive com a instalação de aparelhos para fisioterapia.
A cela de Bolsonaro na Papudinha tem 55 metros quadrados, enquanto a sala da PF tinha apenas 12. Apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, a Papudinha não é de responsabilidade da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, e sim da própria Polícia Militar.
Atendimento médico 24 horas
Moraes também determinou que o sistema penitenciário do Distrito Federal disponibilizasse atendimento médico integral a Bolsonaro, em regime plantão, 24 horas por dia, o que já está sendo cumprido.
A questão é uma das principais preocupações tanto no entorno bolsonarista quanto entre integrantes do governo do Distrito Federal. A lembrança de um episódio ocorrido em novembro de 2023 provoca inquietação entre as autoridades locais – a morte de Cleriston Pereira da Cunha, que estava preso preventivamente na Papuda devido aos atos golpistas do dia 8 de janeiro, e sofreu um “mal súbito” durante banho de sol na penitenciária.
Em novembro do ano passado, antes de Moraes determinar o início da execução da pena de Bolsonaro, um grupo de senadores capitaneado pela ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF) visitou as instalações do Complexo Penitenciário da Papuda – e elaborou um relatório que aponta “deficiências estruturais e procedimentais que comprometem a segurança e a dignidade humana no atendimento médico aos detentos”.
Segundo o relatório, o Complexo Penitenciário da Papuda e o 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal não tinham à época da inspeção “médico em regime de plantão contínuo (24h)”, com atendimento médico “realizado apenas em horários específicos, de 9 às 17 horas em dias úteis, quando há profissional disponível na unidade”.
Prisão domiciliar
Apesar das melhores condições de carceragem da Papudinha, a defesa de Bolsonaro vai insistir no pedido de prisão domiciliar. Para aliados de Bolsonaro, Moraes deve garantir ao ex-ocupante do Palácio do Planalto o mesmo tratamento que conferiu ao ex-presidente Fernando Collor.
Collor foi condenado em 2023 pelo STF a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por conta de desvios na BR Distribuidora, em um caso da Operação Lava-Jato, mas conseguiu a prisão domiciliar ao alegar que sofre de doenças graves, como doença de Parkinson e transtorno bipolar.
No caso de Fernando Collor, porém, não foi apontada pelo STF tentativa de fuga. Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 de novembro, quando cumpria prisão domiciliar em sua casa em Brasília, após danificar sua tornozeleira eletrônica com o objetivo de rompê-la. Na ocasião, o ex-presidente estava detido no âmbito de outro caso no STF, que apura se ele e seu filho Eduardo Bolsonaro atuaram para coagir a Justiça na campanha por sanções dos Estados Unidos contra o Brasil e autoridades nacionais.
A defesa de Bolsonaro sustenta que o quadro de saúde do ex-presidente é muito mais grave que o de Collor. Bolsonaro tem frequentes crises de soluço e vômito e já foi submetido a diversos procedimentos cirúrgicos relacionados às sequelas do atentado que sofreu durante as eleições de 2018, quando foi alvo de uma facada em Juiz de Fora (MG).
O que diz a Polícia Militar do DF
Procurada pela equipe da coluna, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que a gestão da Papudinha segue “critérios rigorosos definidos por decisões judiciais e protocolos de segurança”.
“Conforme determinação do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente não poderá compartilhar cela com outros custodiados. Assim, ele se encontra atualmente em espaço individual, separado dos demais internos, sem qualquer forma de contato, convivência, circulação comum, refeições conjuntas ou uso de áreas compartilhadas”, afirmou a PM.
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