A encruzilhada de Flávio Bolsonaro na definição dos novos candidatos ao Senado no Rio

14/07/2026

Fonte: O globo Por Johanns Eller

COMPARTILHE

Após desistência de Cláudio Castro e prisão de Márcio Canella, cenário do palanque bolsonarista no estado é de terra arrasada

O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), está diante de uma encruzilhada na definição dos candidatos ao Senado em sua chapa no Rio de Janeiro.

Com o esfacelamento da chapa prevista antes das operações sobre Cláudio Castro (PL) -- e agora sobre Márcio Canella (União Brasil) -- tinha ficado definido que os novos candidatos do partido seriam escolhidos a partir de pesquisas internas e com a chancela de Jair Bolsonaro.

Só que essas pesquisas já foram feitas e o ex-presidente já foi consultado pelo assunto, e até agora nada foi decidido — o que preocupa os aliados e chegou inclusive a levantar especulações de que o próprio Flavio esteja “guardando lugar” na chapa para o caso de algo implodir sua candidatura presidencial. A carta do pai divulgada pelo próprio Flávio neste final de semana, em que Bolsonaro se refere ao filho como seu porta-voz e confirma a candidatura, diminuiu a boataria, mas não resolve o principal dilema da direita bolsonarista no Rio.

A escolha dos Bolsonaro para o Senado, entre o senador Carlos Portinho e os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, não é simples.

Primeiro porque as pesquisas internas vêm indicando de forma consistente que os três tem mais ou menos a mesma pontuação, com oscilações muito pequenas, em diversos cenários testados.

Jordy e Portinho, respectivamente, têm demonstrado um desempenho ligeiramente melhor do que Sóstenes, líder da bancada na Câmara. Em todos os cenários, a disputa é liderada por Benedita da Silva (PT), da chapa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).

Mas, com a sequência de operações sobre os políticos fluminenses, pontuar bem nesses levantamentos já não é mais um indicador decisivo.

Na última quarta-feira, Márcio Canella foi preso durante a sexta etapa da Operação Unha e Carne. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pelas investigações como o braço político de um esquema de fraudes em postos de combustíveis que sustentava a lavagem de dinheiro de organizações criminosas. Ele foi solto neste sábado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, mas continuará na mira da PF.

Além disso, no início de julho houve também uma operação sobre pessoas ligadas a Sóstenes, batizada de Operação Rent a Car, como parte de uma investigação da PF de desvio do dinheiro da cota que os parlamentares tem para gastos com o mandato.

O problema maior agora é escolher um candidato e correr o risco de ele ser alvo de novas operações. Jordy, por exemplo, já esteve na mira da primeira fase da Rent a Car, junto com Sóstenes agora. “Fica difícil decidir com o risco de o candidato receber a PF outra vez e a chapa acabar implodida”, diz um dos interlocutores dos Bolsonaro sobre esse assunto.

Costura política

 

Além de arrumar a casa no PL, Flávio terá de apontar outro substituto, desta vez em uma costura política com a federação formada entre o União de Canella e o PP. Aliado próximo do presidenciável, o ex-prefeito havia acolhido a mãe do filho 01 de Jair Bolsonaro, Rogéria, como sua primeira suplente.

Até o momento, Canella e a federação União-PP não sinalizaram que ele deixará a disputa, mas esse desfecho já está precificado na cúpula do PL. A avaliação é que a apreensão do fuzil sem registro comprometeu seriamente a pré-candidatura, já que o principal mote do PL e de Ruas será a segurança pública. Mas os levantamentos internos também não eram muito animadores.

Nos trackings que apontavam um congestionamento entre os possíveis candidatos do PL, Márcio Canella aparecia atrás dos candidatos da sigla do Flávio e também do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta disputar a raia do bolsonarismo. Além disso, também pontuou abaixo dos candidatos ao Senado da chapa de Paes, Benedita e Pedro Paulo (PSD).

A corrida para o Senado no Rio já estava engarrafada antes da operação da Polícia Federal nesta semana. A demora levou inclusive alguns aliados do PL a especular que Flávio estaria, na realidade, “guardando” a vaga do partido para si próprio caso sua campanha presidencial não vá adiante, como publicou a colunista Bela Megale.

Em um cenário de terra arrasada, o palanque do presidenciável do PL no Rio só tem a chapa de governador definida hoje, com Douglas Ruas à frente e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice.

A lista de reveses de Flávio no seu estado natal, porém, precede o inferno astral de Cláudio Castro e Márcio Canella. O candidato original do clã Bolsonaro ao Palácio Guanabara era Rodrigo Bacellar (União Brasil), mas o então presidente da Alerj foi preso em novembro passado acusado de conexões com o Comando Vermelho.

Diante da expectativa de novas operações da Polícia Federal contra deputados estaduais da base do PL, o perido é a solução de Flávio Bolsonaro para o imbróglio já vir acompanhada de prazo de validade.