Terapia de luz vermelha funciona? Investigamos o tratamento que virou hype no TikTok

29/04/2026

Fonte: Por g1 glamour.globo.com/

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Com supostos benefícios para recuperação muscular e bem-estar, as placas com luz infravermelho se tornaram uma verdadeira febre. Mas será que possuem comprovação científica? Especialistas respondem

Dentre as tendências de bem-estar apontadas pelo Global Wellness Summit para 2026, destacam-se principalmente o investimento na longevidade feminina e a integração de hábitos consistentes na rotina. Não é de hoje, entretanto, que vemos a popularização de ferramentas cada vez mais tecnológicas para os cuidados em casa em prol da saúde física e mental.

É o caso da chamada terapia com luz vermelha, tecnicamente conhecida como fotobiomodulação, que consiste em expor-se durante alguns minutos a um painel de luz visível e infravermelho com o objetivo de estimular a atividade celular para modular inflamações e reparar tecidos. Um levantamento da BON CHARGE apontou que nos Estados Unidos, 32% dos adultos já utilizaram este protocolo. Já no Reino Unido, 27% das mulheres afirmaram apostar na terapia.

Se no passado a red light therapy era associada à recuperação muscular e ao alívio de dores, atualmente o tratamento é mais procurado por questões estéticas e até para melhorar o humor. Mas, será que os efeitos possuem comprovação científica? Existem contraindicações? Quais são os reais efeitos para a pele e o corpo? É o que fomos investigar com especialistas. Encontre as respostas a seguir:

A terapia com luz vermelha realmente funciona?

 

"Ela funciona em indicações específicas, com evidência moderada, está longe de ser uma terapia “milagrosa”. O que a literatura mostra é boa evidência para acne inflamatória (efeito anti-inflamatório), rosácea, cicatrização e redução de inflamação, além de estímulo discreto de colágeno no uso dermatológico estético superficial. Uma limitação importante é que dispositivos domiciliares são menos potentes que os médicos, o que leva a resultados mais lentos e variáveis. Existe evidência moderada para dor muscular e articular. Já para ansiedade, humor, fadiga, emagrecimento ou “body contouring”, a evidência ainda é limitada ou inconsistente, com efeito muitas vezes transitório", explica Larissa Oliveira, dermatologista da ONNE CLINIC.

Quais são os reais benefícios da terapia com luz vermelha para as mulheres?

 

"Em mulheres, os benefícios com melhor respaldo incluem melhora da qualidade da pele, com estímulo discreto de colágeno, auxílio em processos inflamatórios leves como acne em alguns casos, e melhora da recuperação pós procedimentos dermatológicos. Sobre fadiga, recuperação muscular e ansiedade, existem estudos iniciais e resultados promissores em alguns contextos, especialmente na área esportiva e neuromodulação, mas ainda não é uma indicação formal consolidada na medicina dermatológica. Pode haver sensação subjetiva de bem estar em algumas pessoas, mas isso não deve ser tratado como efeito garantido", detalha Paula Chicralla, dermatologista do Rio de Janeiro.

 

Quais são os cuidados e contraindicações para o uso da terapia com luz vermelha?

 

"Nem todo dispositivo vendido como "luz vermelha" é terapêutico. Equipamento sério informa comprimento de onda (nm), irradiância (mW/cm²) e tempo de sessão. No Brasil, e importante conferir o registro do dispositivo na Anvisa. Além disso, a consulta com o dermatologista antes de iniciar é o que garante que a tecnologia trabalhe a favor e não contra", alerta a dermatologista Natasha Crepaldi. A médica ainda aponta as principais contraindicações:

 

  • Doenças fotossensíveis (lúpus, porfiria, urticária solar);
  • Uso de medicamentos fotossensibilizantes (alguns antibióticos, isotretinoína, certos antidepressivos);
  • Lesões suspeitas ou câncer de pele ativo na área;
  • Epilepsia fotossensível (evitar luz pulsátil);
  • Gestação (evitar abdome);
  • Doença tireoidiana ativa (evitar cervical anterior);
  • Melasma e fototipos altos precisam de avaliação, luz azul associada pode piorar a mancha;
  • Proteção ocular é sempre obrigatória.

 

 

Quais são as principais diferenças entre a LEDterapia estética e as placas corporais?

 

"A LED facial ou capilar, no contexto dermatológico, apresenta baixa potência e uso localizado, sendo indicada para acne, rejuvenescimento leve e alopecias. Já as placas ou painéis corporais, mais associados ao universo de wellness e biohacking, possuem maior área de cobertura e prometem efeitos sistêmicos, como melhora de energia, recuperação e humor. No entanto, há menos padronização científica nesses dispositivos, além de maior variabilidade de dose, o que aumenta o risco de uso inadequado", finaliza a dermatologista Larissa Oliveira.