Saiba como manter a sensibilidade da sua boca e evitar engasgos

16/10/2025

Fonte: Por g1 Por Mariza Tavares — Rio de Janeiro

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Pequenos ajustes na alimentação e nos cuidados orais podem preservar estímulos que são fundamentais, ensina fonoaudióloga.

Por que engasgamos mais à medida que envelhecemos? Há fatores como a perda de massa muscular, que afeta os músculos responsáveis por mastigar e engolir, e a redução da sensibilidade na garganta e na laringe, mas pouca gente percebe que, com o passar do tempo, a boca recebe um volume menor de estímulos. Pequenos ajustes na alimentação e na rotina da higiene oral podem retardar esse processo, ensina a fonoaudióloga e gerontóloga Marcela Motta, com especialização em neuropsicologia pela USP.

“Uma dieta mais restrita nos priva de sensações fundamentais para a boca, que trabalha com diversos elementos sensoriais, como paladar, textura, temperatura e pressão. Sua sensibilidade depende desse repertório de estímulos e poderíamos dizer que eles servem para deixá-la ‘alerta’”, diz a fonoaudióloga.

 

Com menos estímulos, diminui também a propriocepção – que é capacidade de percepção do próprio corpo – e aumenta o risco de não mastigarmos corretamente. O resultado é o alimento simplesmente deslizar sem que percebamos. Nem sempre o engasgo é notado ou vem acompanhado de sufocamento, que exige socorro imediato. Entretanto, restos de comida podem permanecer na orofaringe (a região intermediária da garganta, localizada atrás da boca, que recebe o bolo alimentar para enviá-lo ao esôfago).

 

“Esse acúmulo pode causar um pigarro, aquela sensação de que algo está preso na garganta, ou uma tosse noturna. Pode também gotejar para o pulmão, provocando uma pneumonia”, ensina Motta.

 

É comum que idosos passem a consumir alimentos que apresentam um estímulo menor. Às vezes, porque apresentam problemas de dentição; em outras, porque seguem dietas restritivas devido a doenças crônicas.

“A comida se torna monótona, a pessoa perde o apetite e ainda há o risco da perda da capacidade de deglutir com segurança, porque a musculatura da boca deixa de ser usada”, alerta a especialista.

Quando essa capacidade se deteriora, a condição se chama disfagia, que é a dificuldade de engolir alimentos, líquidos e até saliva. Nesse caso, é indispensável o acompanhamento de um profissional especializado para tentar reverter o quadro. Por isso são tão importantes as dicas de Marcela Motta para manter a boca sensível e “alerta”.

Na alimentação:

Garantir o maior número de estímulos na hora das refeições. O prato ideal tem:

 

  1. Crocância: consumindo legumes crus nas saladas.
  2. Texturas variadas: incluindo aquelas mais trabalhosas, como as das fibras das carnes.
  3. Temperaturas diferentes: feijão quentinho consegue reunir textura e temperatura num alimento só!
  4. Frescor: com sucos com hortelã ou gengibre, ou mesmo água gelada.
  5. Para quem costuma só tomar uma sopa à noite, vale incrementar o prato com algo crocante, como couve refogada, croutons, ou incluir torradas como acompanhamento.
  6. Em vez de só tomar uma vitamina à tarde, incorporar snacks crocantes ao lanche.

 

Na higiene oral:

 

  1. Em primeiro lugar, usar uma escova macia. Cerdas duras danificam os sensores orais.
  2. Garantir uma boa higiene oral escovando não apenas os dentes, mas também a língua, o céu da boca e as bochechas internas. No entanto, não exagere. Em uma das escovações do dia, não use produtos, apenas a fricção.
  3. Sem indicação específica, evite pastas de dentes que reduzam a sensibilidade da boca.