Orgasmos intensos e profundos: conheça o ponto A, capaz de despertar um prazer totalmente novo

03/06/2026

Fonte: Por Camila Cetrone, redação Marie Claire — São Paulo (SP) 02/06/2026 01h03 Atualizado há 5 horas

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Descubra onde fica e como estimular a região que ajuda a aumentar a lubrificação, relaxar a musculatura pélvica e trazer novas intensidades para o clímax

Cecília*, 31 anos, foi pega de surpresa enquanto transava com um homem com quem deu match em um aplicativo. No meio de uma sessão de sexo intenso em que ela "já tinha perdido as contas" de quantas vezes gozou, ela foi colocada de bruços. "Ele deitou por cima e penetrou devagar, até chegar no fundo, e ficou um bom tempo parado ali. Conseguia sentir ele inteiro no colo do útero, como se estivesse me anestesiando. Conseguia claramente sentir meus músculos pulsarem e meu corpo derreter aos poucos. Foi indescritível", lembra. É muito provável que o date de Cecília tenha encontrado o ponto A dela, uma região que tem potencial para desencadear orgasmos diferenciados mas é pouco conhecida.

Se você achava que o ponto G e o clitóris eram os únicos pontos que intensificam o prazer em pessoas com vulva, achou errado. Ponto A é o nome dado ao Anterior Fórnix Erótico (ou AFE), uma região cheia de terminações nervosas que fica bem no fundo do canal vaginal, perto do colo do útero, na parede que antecede o túnel vaginal.

“Não é um ponto isolado, mas uma área de tecido mucoso e conjuntivo de alta sensibilidade”, explica a sexóloga e terapeuta sexual Tamara W. Zanotelli. A sexóloga Sabrina Munno, que atende na plataforma de saúde digital Doctoralia, diz que mulheres relatam sentir mais lubrificação, sensação de prazer aprofundada, intensificação da conexão emocional e corporal ao alcançar o ponto A. A especialista diz que a área tem potencial para arrancar orgasmos mais expansivos e “internos”.

Zanotelli afirma que, por ser uma região difícil de acessar, é bastante negligenciada. Não só mulheres e pessoas com vulva não conhecem a região como a ciência ainda não fez pesquisas suficientes sobre essa região. Por isso mesmo, diz que sequer é tratada como uma zona erógena.

 

Por que o ponto A é tão misterioso?

 

O ponto A foi mapeado pela primeira vez em um estudo publicado em 1997, conduzido pelo médico e sexólogo malaio Chua Chee Ann. A pesquisa, feita com 271 mulheres, identificou que dois terços das que tinham queixas crônicas de ressecamento, dor e desconforto no sexo tiveram uma resposta fisiológica positiva depois de serem estimuladas por 10 a 15 minutos. Além disso, 15% delas tiveram orgasmos intensos e mais lubrificação.

Zanotelli explica que, diferente do orgasmo com estimulação clitoriana, o ponto A está perto do cérvix, e traz outro tipo de sensação ao corpo. "Também sabemos que essa região relaxa a musculatura pélvica, o que leva a um prazer mais amplo e leve", acrescenta a médica.

Por mais que o potencial de prazer seja alto, Munno reforça que o ponto A “não funciona como um botão mágico” — assim como nenhuma zona erógena, já que o prazer é a somatória de um conjunto de fatores. “Cada corpo responde de uma forma. Algumas mulheres sentem muito prazer ali, outras pouco, e está tudo bem. No fundo, falar do ponto A é também falar de como ainda conhecemos pouco sobre prazer feminino e como muitas mulheres chegam à vida adulta sem nunca terem aprendido sobre o próprio corpo”, aponta a especialista.