O que é a caminhada do gorila, o exercício da moda que melhora a força, a coordenação e o equilíbrio

12/02/2026

Fonte: O globo Por La Nacion

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Esse tipo de marcha ativa cadeias musculares que raramente são utilizadas na rotina diária, oferecendo uma melhora integral da condição física

O que em seu momento foi um passo de dança icônico, popularizado por Melody no início dos anos 2000 com El baile del gorila, hoje se transformou em uma tendência global do fitness. A “caminhada do gorila” está ganhando espaço em academias, aulas de calistenia e disciplinas como o animal flow, destacando-se como um exercício de aquecimento inicial que envolve os principais grupos musculares do corpo.

Para seus adeptos, imitar os movimentos dos primatas não é apenas divertido, mas também extremamente benéfico. Esse tipo de deslocamento ativa cadeias musculares que raramente são utilizadas na rotina diária, oferecendo uma melhora integral da condição física. A influenciadora norte-americana de fitness Sam Hope compartilhou sua experiência em uma coluna de opinião, detalhando: “Eu conseguia sentir o quanto meus músculos estavam rígidos quando desci para a posição inicial de agachamento. Fico feliz por ter dedicado nove minutos por dia para experimentar a caminhada do gorila”.

Hope enfatizou que os movimentos primários são excelentes para desenvolver a mobilidade do quadril, dos ombros e dos punhos, além de fortalecer o core e outros músculos fundamentais. “Ao final da semana, notei uma diferença nos meus quadris e nos tendões da parte posterior da coxa”, acrescentou.

Esse exercício remonta às próprias origens da humanidade. Embora os seres humanos tenham evoluído para caminhar eretos ao longo de milhões de anos, nossos ancestrais se deslocavam com quatro membros. Pesquisas sugerem que adotar essa marcha ancestral, mesmo por poucos minutos diários, pode ser a chave para desenvolver maior força e mobilidade superior, tudo isso sem a necessidade de pesos ou aparelhos de academia.

O médico do esporte e diretor da Pós-graduação em Medicina Esportiva Pediátrica da Universidade Favaloro, Santiago Kweitel, destaca que, entre os benefícios mais comuns da prática repetida da caminhada do gorila, encontram-se os seguintes:

 

  • Melhora do equilíbrio e da coordenação: ao exigir o uso sincronizado de braços e pernas de uma forma pouco habitual, o exercício obriga a manter uma boa coordenação. Os símios, mestres nessa habilidade, demonstram como equilibrar o peso entre os quatro membros contribui para sua estabilidade.
  • Trabalho da mobilidade do quadril: em uma era marcada pelo sedentarismo, na qual o quadril costuma apresentar pouca movimentação e enfraquecimento, essa caminhada reativa flexores e extensores por meio de deslocamentos multidirecionais (para frente, para trás, lateralmente e com movimentos rotacionais).
  • Fortalecimento de ombros e punhos: a constituição robusta dos gorilas não é casual; ela se deve ao peso constante que suportam nos braços ao se deslocar. O exercício reproduz esse esforço, envolvendo movimentos incomuns com punhos e nós dos dedos, que otimizam sua mobilidade em diversos planos.
  • Como fazer a caminhada do gorila?

     

    Para realizar corretamente a caminhada, começa-se em um agachamento baixo, com os calcanhares levemente mais afastados do que a largura dos ombros e os joelhos alinhados com os dedos dos pés. A coluna deve permanecer neutra, com o core ativado. Em seguida, o corpo é balançado suavemente de um lado para o outro, deixando que os braços fiquem relaxados, mas mantendo os ombros para trás. As mãos são posicionadas à frente, e a força principal deve vir do core, enquanto as pernas acompanham o movimento do tronco e dos braços. Recomenda-se realizar o exercício em uma direção e depois retornar invertendo o movimento.

    Kweitel esclarece que, apesar de sua crescente popularidade, a caminhada do gorila deve ser utilizada como uma ferramenta complementar da preparação física e não como o eixo central de um treinamento sistemático. “Caso seja usada como aquecimento ou ativação muscular, recomenda-se seguir depois com um treino mais complexo”, orienta. Além disso, é fundamental considerar que não se trata de um exercício adequado para todos, especialmente para pessoas com lesões nos tornozelos, joelhos ou quadris. Nesses casos, uma consulta médica prévia é indispensável para avaliar as condições individuais e obter liberação antes de iniciar a prática.

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