Ministério da Saúde envia missão à Terra Yanomami para fazer diagnóstico sobre situação dos indígenas
18/01/2023

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Objetivo é levantar informações para traçar ações de enfrentamento à crise sanitária. Indígenas sofrem com desassistência e problemas como malária e desnutrição.
O Ministério da Saúde enviou na segunda-feira (16) uma equipe multidisciplinar para a Terra Indígena Yanomami, na floresta amazônica, com o objetivo de fazer um diagnóstico sobre a situação da saúde dos indígenas e, a partir daí, traçar as ações para enfrentar a crise sanitária vivida na região.
A missão, que tem a parceria de lideranças indígenas, deve durar cerca de 10 dias.
Localizado nos estados de Roraima e Amazonas, o território é alvo de garimpo ilegal, que acarreta em diversas mazelas para os habitantes - em torno de 30,4 mil.
O mercúrio usado na extração de ouro polui rios e contamina peixes, impactando a principal fonte de água e alimento. Além dos graves danos ambientais, gera problemas neurológicos nas pessoas. Os garimpeiros são ainda responsáveis por constantes ataques armados às comunidades.
Casos de desnutrição e malária são muito comuns na população local, que sofre ainda com a falta de atendimento médico regular. Estudo do Unicef (braço da Organização das Nações Unidas para a infância) e a Fiocruz aponta que oito em cada dez crianças menores de 5 anos têm desnutrição crônica - nas regiões de Auaris e Maturacá - dentro da terra indígena.
Mulher Yanomami com desnutrição sendo pesada. — Foto: Reprodução/Instagram/urihiyanomami
Em entrevista ao g1, o secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, primeiro indígena a ocupar o cargo, já havia dito que a sua prioridade número um seria combater esses males na Terra Yanomami.
Missão
A missão é composta por duas equipes diferentes.
Com oito integrantes, a equipe de campo conta com técnicos do ministério, epidemiologistas, antropólogos e médicos e se deslocará entre os Polos Base de Surucucu e Xitei, onde ficam os postos de saúde que atendem as comunidades do entorno. O acesso a essas regiões é difícil e, em parte, só acontece com ajuda do Ministério da Defesa.
Eles irão coletar informações sobre os atendimentos prestados e insumos disponíveis para mapear as demandas e necessidades de saúde da população.
Outra equipe, com nove pessoas, está na cidade de Boa Vista, onde farão um trabalho mais de gestão, organizando o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), que responde para a Sesai.
Estima-se que cerca de 20 mil garimpeiros estejam infiltrados na Terra Yanomami — Foto: Chico Batata / Greenpeace
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