Por que o assoalho pélvico é fundamental para a continência e a saúde sexual
28/10/2025

COMPARTILHE
A fisioterapeuta Patrícia Zaidan, doutora em ciências do exercício e do esporte, alerta: qualquer disfunção nessa região causa impacto na qualidade de vida.
Que parte do corpo tem a missão silenciosa de sustentar bexiga, uretra, vagina, útero, reto e próstata? E que, além da sustentação de todos esses órgãos, ainda é responsável pela continência, tanto urinária quanto fecal, e pela função sexual? “Podemos comparar os músculos do assoalho pélvico ao nosso chão, nossa base. Quando deixam de desempenhar seu papel, o impacto na qualidade de vida é significativo”, alerta a fisioterapeuta Patrícia Zaidan, doutora em ciências do exercício e do esporte e especialista em fisioterapia pélvica.
Quando a sustentação dos órgãos é prejudicada, pode ocorrer o chamado prolapso, que é quando eles se projetam de forma anômala – por exemplo, quando a bexiga “cai” e se desloca em direção à parede frontal da vagina. Tudo porque os músculos do assoalho pélvico não estão dando conta do recado.
A incontinência urinária talvez seja a disfunção mais conhecida (e subestimada): “as pessoas não se dão conta de que perder algumas gotas de urina já caracteriza um quadro de incontinência urinária. Não procuram ajuda e, conforme o problema vai aumentando, deixam de sair de casa com medo de um episódio embaraçoso, o que afeta sua vida social”, afirma Zaidan.
O xixi escapa quando você tosse, ri ou se exercita? Hora de procurar um especialista. Ao entrar no climatério, a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, as mulheres se deparam com a queda na produção do estrogênio, que tem papel fundamental para o assoalho pélvico, detalha a fisioterapeuta:
“O estrogênio é responsável pelo fluxo sanguíneo e a oxigenação dos tecidos, garantindo a continência e a lubrificação. Há mulheres que não apresentam incontinência, nem prolapso, mas sentem dor na relação devido à atrofia vulvovaginal. É a dispaurenia, uma queixa bastante comum na menopausa, que compromete o prazer sexual”.
Pequena aula de anatomia: todos temos dois esfíncteres na bexiga. O esfíncter uretral interno é involuntário e mantém a urina na bexiga. O esfíncter uretral externo é voluntário – e acionado quando, por vontade própria, decidimos urinar. O interno está na junção entre bexiga e uretra, enquanto o externo envolve a uretra mais abaixo e é auxiliado pelos músculos do assoalho pélvico. Na prostatectomia, o esfíncter uretral interno é removido e é preciso aprender a contar somente com o externo. Se parte do tecido do esfíncter externo for retirado, ele perde a capacidade de preensão, ou seja, de segurar o xixi.
“A fisioterapia utiliza um eletrodo no canal anal ou na região perineal do homem que faz o músculo se contrair. O paciente se torna consciente desse movimento, passa a dominá-lo e retoma a preensão”, destaca Zaidan.
Quando a cirurgia é muito extensa, o tratamento conservador falha e há duas alternativas: o sling masculino, que é a colocação de uma malha sintética para dar suporte à uretra; ou um esfíncter artificial. A fisioterapia também atua nos quadros de disfunção erétil depois da remoção da próstata, uma vez que é relativamente comum que haja uma pequena lesão dos músculos eretores do pênis.

























