"O limite ajuda a criança a perceber que existem outras pessoas no mundo", afirma educador

16/07/2026

Fonte: r g1 Por Crescer

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“O não dado com respeito, organiza. Oferece segurança. A criança entende que existe alguém conduzindo a relação, alguém atento, capaz de cuidar, inclusive, daquilo que ela ainda não consegue administrar sozinha”, reflete Marcelo Cunha Bueno, educador e colunista da CRESCER

Muitos adultos têm sentido medo de frustrar os filhos. Medo do choro, da rejeição, do desconforto que aparece quando a criança não pode fazer exatamente aquilo que deseja. Aos poucos, esse receio transforma a educação em uma tentativa permanente de evitar conflitos.

Mas a infância precisa de direção, de presença firme e de adultos que consigam permanecer nesse lugar com cuidado e clareza.

O limite ajuda a criança a perceber que existem outras pessoas no mundo, outros desejos, outros ritmos, necessidades. A experiência de esperar, de escutar um “agora não”, de lidar com pequenas frustrações do cotidiano participa profundamente da construção emocional e social.

O “não” dado com respeito organiza. Oferece segurança. A criança entende que existe alguém conduzindo a relação, alguém atento, capaz de cuidar, inclusive, daquilo que ela ainda não consegue administrar sozinha.

Quando nenhum adulto ocupa esse lugar, a criança tenta fazê-lo, e esse movimento produz excesso, ansiedade e dificuldade de convivência, porque a infância ainda está aprendendo a lidar com os próprios impulsos.

Educar exige presença. Exige coragem para atravessar o desconforto de alguns momentos sem abandonar aquilo que é importante para o desenvolvimento da criança. O choro faz parte da vida emocional. A frustração também.

Ambos podem ser acompanhados com afeto, escuta e firmeza. Limites oferecidos com vínculo ajudam a criança a crescer com mais segurança interna, mais capacidade de espera, mais consideração pelo outro e recursos emocionais para viver em comunidade. A infância precisa de amor.

E também precisa de adultos que consigam dizer “sim” e “não” com responsabilidade, cuidado e presença.