As nozes contêm minerais essenciais, mas a digestão libera apenas parte deles; aponta novo estudo; entenda

16/06/2026

Fonte: Jornal Extra

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Com o apoio da FAPESP, pesquisa foi realizada na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e publicado na revista Química Nova

A presença de minerais em oleaginosas, como a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e o caju (Anacardium occidentale), não são 100% aproveitadas pelo nosso organismo.

Com apoio da FAPESP, o estudo, realizado no campus Diadema da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e publicado na revista Química Nova, avaliou a biodisponibilidade desses nutrientes.

A biodisponibilidade é definida como a fração do mineral efetivamente liberada durante a digestão gastrointestinal simulada e potencialmente disponível para absorção.

"A linha de pesquisa que venho desenvolvendo se concentra na avaliação do valor nutricional real dos minerais presentes na dieta. Nesse contexto, estudamos alimentos de grande importância econômica no Brasil. Nosso grupo não apenas determina a quantidade total [concentração] de elementos presentes nos alimentos, mas também utiliza ensaios que simulam os processos de digestão gástrica e intestinal nessas amostras", explica Angerson Nogueira do Nascimento, químico, professor associado da UNIFESP e coordenador do estudo.

O objetivo dos pesquisadores era analisar o comportamento de minerais essenciais durante a digestão humana simulada, levando em consideração a ação dos sucos gástricos e intestinais, bem como as características do trato digestivo.

Eles avaliaram quatro minerais: cobre, importante para a formação de glóbulos vermelhos, produção de energia e manutenção do sistema imunológico; magnésio, essencial para a saúde óssea e função muscular; manganês, que possui propriedades antioxidantes e desempenha um papel na formação óssea e do tecido conjuntivo; e zinco, essencial para o sistema imunológico, cicatrização de feridas e síntese de proteínas.

Os cientistas determinaram a concentração total desses minerais nas nozes e em seguida avaliaram a biodisponibilidade dos nutrientes utilizando um ensaio de digestão gastrointestinal in vitro, visto que a quantidade total de um nutriente presente no alimento não corresponde necessariamente à quantidade absorvida pelo organismo.

 

Bioacessibilidade

 

Os pesquisadores destacaram a diferença entre bioacessibilidade e biodisponibilidade. Bioacessibilidade refere-se à fração de um nutriente que é liberada da matriz alimentar no trato gastrointestinal e está disponível para ser absorvida. Biodisponibilidade, por outro lado, corresponde à porção efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo, levando em consideração processos como distribuição, metabolismo e excreção.

A bioacessibilidade pode ser avaliada em laboratório por meio de ensaios in vitro, mas a biodisponibilidade requer estudos com animais ou humanos. Esses estudos demandam recursos significativos e necessitam de aprovação de um comitê de ética em pesquisa.

Para o estudo, os pesquisadores simularam as condições do sistema digestivo humano em um ambiente de laboratório. Isso incluiu o controle da temperatura, agitação, pH e composição enzimática.

Os resultados mostraram que 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no caju estavam disponíveis para absorção após o processo de digestão simulada. Porém, o manganês e o zinco foram encontrados em quantidades muito baixas para uma medição confiável, abaixo do limite de detecção da técnica instrumental.

Já na castanha-do-pará, 50% do cobre e 28% do magnésio apresentaram biodisponibilidade. Os teores de manganês e zinco também permaneceram abaixo do limite de detecção.

"Os resultados demonstraram que a avaliação do valor nutricional de um alimento não deve se limitar à concentração total de nutrientes. É essencial também investigar como esses elementos se comportam em condições que simulam o sistema digestivo para estimar sua real disponibilidade para absorção", afirma Nascimento.