Regina Casé diz que se sente como um 'menino de 16 anos':

13/07/2026

Fonte: revistaquem.globo.com Por Carla Neves

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Atriz fala sobre a peça 'Viva! Vida!', conta como a natureza transformou sua vida, revela que já viajou para conhecer árvores e reflete sobre tecnologia, redes sociais e o olhar curioso que mantém aos 72 anos

Regina Casé acredita que chegou o momento de transformar a preocupação com o futuro do planeta em conversa. Em cartaz com o espetáculo Viva! Vida!, em São Paulo, a atriz, de 72 anos, sobe ao palco para convidar o público a refletir sobre a origem da vida na Terra, a conexão entre todos os seres vivos, o impacto da hiperconectividade e as mudanças climáticas. Mas do jeito que ela gosta e sabe fazer: com humor, emoção e participação da plateia.

Com direção de Daniela Thomas e Estêvão Ciavatta, marido de Regina, a peça conduz o público por uma travessia entre passado, presente e futuro da humanidade. O texto foi desenvolvido por Estêvão em parceria com Regina, Daniela e os pesquisadores Antônio Nobre e Fábio Scarano, reunindo ciência, ancestralidade, espiritualidade e cotidiano em uma experiência que propõe reflexão sem abrir mão do entretenimento.

Em entrevista à Quem, Regina conta que o espetáculo nasceu de uma inquietação compartilhada com o marido e diretor. "Nós dois compartilhamos muitas ideias, muitos ideais e, principalmente, compartilhamos a crença de que a melhor maneira de trazer as pessoas para refletirem, a melhor maneira de trazer as pessoas para um assunto que elas estão ignorando, do qual estão alienadas, é, primeiro, pela emoção e, depois, pelo humor", opina.

Ela acredita que falar sobre a emergência climática sem afastar o público foi um dos maiores desafios da montagem. "Se eu pegasse todas aquelas informações que tem na peça e mandasse assim, de uma vez só, talvez as pessoas ficassem apavoradas, porque a situação que a gente está vivendo, de mudanças climáticas e tudo isso, é gravíssima. E não é que a gente passe pano ou atenue. É que a gente vai pelo lado da maravilha que é viver na Terra, e não pelo lado de tudo de terrível que está acontecendo para acabar com esse paraíso em que a gente vive", explica.

Ela afirma que o tema se tornou tão urgente que já não consegue imaginar outro caminho artístico. "É quase como se eu não conseguisse fazer uma peça sobre outro assunto", entrega ela, que ao lado de Estêvão buscou construir uma obra que desperta consciência sem recorrer ao medo. "Uma coisa a que a gente chega junto, no final da peça, é que não existe nenhuma separação entre a gente e um rio, entre a gente e um bicho, entre a gente e uma árvore. Nós todos estamos no mesmo barco. E eu não estou querendo deixar esse barco afundar", analisa.

Humor para provocar reflexão

 

Embora trate de temas complexos, Viva! Vida! é marcada pelo humor. Regina conta que a plateia ri do início ao fim, mas deixa o teatro olhando para o próprio cotidiano de outra forma. "As pessoas morrem de rir. Mas, quando acabam de rir, olham e falam: 'Caramba!'", afirma.

Um dos momentos mais marcantes, segundo ela, acontece quando faz uma pergunta aparentemente simples. "Eu pergunto: 'Qual foi a árvore mais incrível que você viu da sua casa até aqui?'. Noventa por cento das vezes a pessoa responde: 'Eu não reparei que existia alguma árvore'", conta, acrescentando que essa constatação costuma mexer profundamente com o público. "Aquilo que parece óbvio, aquilo que parece natural, de repente fica gritante. Você percebe que não pode ser desse jeito."

 

O celular também é personagem da peça

 

Além da natureza, a tecnologia ocupa um espaço central na narrativa. "O celular é praticamente o meu parceiro de cena. Eu contraceno com ele o tempo todo", diz, explicando que o espetáculo acompanha a história da Terra desde o nascimento do planeta até os dias atuais. "A peça é como se fosse uma biografia do planeta Terra. Desde que ela nasceu, bebezinha, até os dias de hoje. E o celular fica, como na nossa vida, interferindo o tempo todo."

Fora do palco, Regina admite que também enfrenta dificuldades para equilibrar o uso das telas. "Um dia abri aquele aplicativo que mostra o tempo de uso do celular e vi que tinha ficado oito horas e meia. Fiquei horrorizada", recorda.

Ainda assim, ela faz questão de deixar claro que não demoniza a tecnologia. "Eu não sou contra o celular. Eu vivo com ele, trabalho com ele. Eu só acho que a gente tem que encontrar um equilíbrio. E não é um equilíbrio para viver melhor. É um equilíbrio de sobrevivência", analisa.

Humor para provocar reflexão

 

Embora trate de temas complexos, Viva! Vida! é marcada pelo humor. Regina conta que a plateia ri do início ao fim, mas deixa o teatro olhando para o próprio cotidiano de outra forma. "As pessoas morrem de rir. Mas, quando acabam de rir, olham e falam: 'Caramba!'", afirma.

Um dos momentos mais marcantes, segundo ela, acontece quando faz uma pergunta aparentemente simples. "Eu pergunto: 'Qual foi a árvore mais incrível que você viu da sua casa até aqui?'. Noventa por cento das vezes a pessoa responde: 'Eu não reparei que existia alguma árvore'", conta, acrescentando que essa constatação costuma mexer profundamente com o público. "Aquilo que parece óbvio, aquilo que parece natural, de repente fica gritante. Você percebe que não pode ser desse jeito."

 

O celular também é personagem da peça

 

Além da natureza, a tecnologia ocupa um espaço central na narrativa. "O celular é praticamente o meu parceiro de cena. Eu contraceno com ele o tempo todo", diz, explicando que o espetáculo acompanha a história da Terra desde o nascimento do planeta até os dias atuais. "A peça é como se fosse uma biografia do planeta Terra. Desde que ela nasceu, bebezinha, até os dias de hoje. E o celular fica, como na nossa vida, interferindo o tempo todo."

Fora do palco, Regina admite que também enfrenta dificuldades para equilibrar o uso das telas. "Um dia abri aquele aplicativo que mostra o tempo de uso do celular e vi que tinha ficado oito horas e meia. Fiquei horrorizada", recorda.

Ainda assim, ela faz questão de deixar claro que não demoniza a tecnologia. "Eu não sou contra o celular. Eu vivo com ele, trabalho com ele. Eu só acho que a gente tem que encontrar um equilíbrio. E não é um equilíbrio para viver melhor. É um equilíbrio de sobrevivência", analisa.

Relação com a natureza

 

Regina conta que cultivar uma relação íntima com a natureza faz parte da sua vida há décadas. "Eu tomo banho de rio, de mar, de cachoeira. Tenho árvores que fazem parte da minha vida como se fossem gente. Morro de saudade delas, vou visitá-las", afirma, lembrando, inclusive, de viagens feitas exclusivamente para conhecer árvores. "Atravessei Moçambique e um pedaço da África do Sul porque queria conhecer aqueles baobás gigantes", relembra.

 

Curiosidade de um menino de 16 anos

 

Ao longo da pesquisa para o espetáculo, Regina conta que descobriu fatos que mudaram sua forma de enxergar o planeta. "Eu não sabia que a Terra tem 4 bilhões e meio de anos e que, durante quase todo esse tempo, ela era um deserto", afirma, reconhecendo que a peça também nasceu desse encantamento com o conhecimento. "Eu saí com muito mais perguntas. A curiosidade aumentou."

A atriz afirma, aliás, que essa curiosidade continua sendo sua principal característica. "Eu me sinto com 16 anos. Não é nem com 20 ou 30. É com 16. Eu tenho essa curiosidade, esse impulso. Eu sou um menino de 16 anos", descreve, aos risos.

"Às vezes, estou com meu filho [Roque, de 13 anos] ou com o pai do meu neto [Brás, de 9 anos, é filho de Benedita, de 36, filha da atriz, com João Pedro Januário], que são meninos e pretos, e meu gosto estético, a loja que entro, o tênis que quero comprar, o agasalho que quero comprar... Eu me interesso muito mais por aquilo do que entrar em uma loja da Chanel. Realmente aquilo vem de um lugar que é muito genuíno. Acho que é esse menino que tem essa curiosidade toda", reflete.

Redes sociais, inteligência artificial e fake news

 

Apesar de admirar a tecnologia, Regina também tem preocupações em relação ao mundo digital. "O que mais me assusta é ver pessoas sem conseguir distinguir o que é verdade do que não é. Fico impressionada ao ver pessoas compartilhando coisas absolutamente falsas. E elas dizem: 'Mas estava na internet'. Como se estar na internet fosse um selo de autenticidade", afirma.

A atriz também demonstra preocupação com o uso da inteligência artificial. "Já fizeram coisas com a minha voz. Algumas eram bonitas, emocionantes. Mas você fica imaginando o que também pode estar sendo feito de ruim com isso. É muito perigoso", pontua.

 

"Não existe plano B"

 

Para Regina, a principal mensagem de Viva! Vida! é um convite para olhar com mais carinho para aquilo que parece fazer parte da rotina. "Eu acho que não existe plano B. Não existe outro lugar", avalia, concluindo que a preservação do planeta começa pelo reconhecimento da beleza da vida. "Eu adoro cheirinho de bebê. Mas, para continuar existindo bebê, para a gente continuar sentindo esse cheirinho, a gente precisa parar de destruir tudo e cuidar da Terra com carinho."

Questionada sobre qual é o espírito do espetáculo, ela sintetiza o que deseja provocar no público: "Na peça, a Terra vira um personagem. Eu abraço a Terra, beijo a Terra. E você termina apaixonado por ela."

Viva!Vida!
09 de julho até 02 de agosto
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo/SP)
De quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 17h
Vendas: www.sympla.com e na bilheteria física do teatro.