Rafa Kalimann: ‘Idealizei muito a maternidade, mas o puerpério me pegou de surpresa’

11/05/2026

Fonte: glamour.globo.com

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A atriz – e agora diretora e produtora de cinema – divide sua jornada como mãe de primeira viagem, da gestação ao puerpério e à volta ao trabalho, no documentário “Tempo de Amar”, que estreia hoje (9) no GNT. À Glamour, ela fala sobre os maiores desafios da maternidade e que tipo de mãe sonha em ser

Aos 33 anos, Rafa Kalimann está vivendo muitas primeiras vezes. Na vida pessoal, é mãe de primeira viagem de Zuza, sua filha de quatro meses com o cantor Natan. Na vida profissional, é diretora e protagonista do filme "Minha Querida Alice", selecionado para o Marché du Film do Festival de Cannes deste ano, e também produtora e protagonista da série documental “Tempo de Amar”, do GNT.

A produção, um documentário de quatro episódios, acompanha a jornada de Rafa em diferentes etapas: o final da gestação, o parto, o puerpério e o retorno ao trabalho. Ao abrir sua casa e sua nova rotina para a equipe de filmagens, ela discute temas como saúde mental, pressão estética e expectativas irreais sobre a maternidade.

O desejo de registrar e compartilhar o que estava sentindo no que considera a fase mais transformadora de sua vida nasceu justamente de uma mistura de sentimentos complexos, que ela mal sabia nomear: “Eu sentia uma sede de acolher, de ser acolhida, de abraçar outras mães, de ser abraçada. E não conseguia dar nome para esses sentimentos novos. Veio daí a vontade de compartilhar esse processo de uma maneira real, mais vulnerável, mais profunda”, disse, em entrevista à Glamour.

O primeiro episódio de “Tempo de Amar” vai ao ar no GNT neste sábado (9), às 22h. A seguir, você lê os melhores trechos da nossa conversa com a atriz, diretora e produtora:

Como nasceu o desejo de documentar sua gestação?

A ideia surgiu nos primeiros meses. Eu sentia uma sede de acolher, de ser acolhida, de abraçar outras mães, de ser abraçada. E não conseguia dar nome para esses sentimentos novos. Veio daí a vontade de compartilhar esse processo de uma maneira real, mais vulnerável, mais profunda, para as pessoas acessarem essa maternidade real, sem máscara, sem nada que camuflasse ela. Eu queria muito registrar essas quatro etapas, que são tão diferentes umas das outras – o final da gestação, o parto, o puerpério e a volta ao trabalho.

Dessas quatro etapas – o final da gestação, o parto, o puerpério e a volta ao trabalho – qual foi a mais desafiadora para você?

É impossível responder. Todos os momentos foram desafiadores na mesma proporção. O final da gestação vem com ansiedade e medo do desconhecido, sentimentos que desapareceram no puerpério. O parto foi uma catarse. Veio com muita frustração, mas também com muita alegria – o ápice da alegria de um ser humano, que é dar a vida a outro ser. O puerpério me pegou de surpresa, porque eu idealizava muitas coisas para a minha maternidade, mas esse período veio com muitos desafios que eram desconhecidos para mim, inclusive desafios físicos. Mas também uma novidade muito feliz, que era estar com a minha filha no colo. E, por fim, a volta ao trabalho, que é uma decisão complexa. Você não quer ficar longe, mas precisa fazer isso pela sua carreira, pelos seus sonhos, pelo seu relacionamento. Estamos falando de um país em que 40% das mulheres que se ausentam para maternar não conseguem ou têm muita dificuldade de voltar para o lugar em que estavam no mercado.

De que formas a maternidade mudou você?

A maternidade mudou muita coisa em mim. Eu acho que eu estou mais calma, respeitando mais o tempo e o processo das coisas. Estou mais inteira, entendendo melhor o que eu sou e como eu quero ser. Agora minha vida tem uma protagonista que não sou eu, é a minha filha, que demanda muito de mim. Isso tira da gente o ego, a ansiedade… A gente se torna mais generoso, mais empático, mais respeitoso com os outros e com nós mesmos.

Como você e Natan planejam lidar com a exposição da Zuza?

Quando eu estava grávida, a gente se questionava muito sobre isso. E entendemos que o melhor cenário é lidar da forma mais natural. Se a gente tentasse ser diferente, não mostrar ela, por exemplo, seria um caminho totalmente legítimo, mas não seria natural para nós, porque não condiz com a nossa realidade. Mas a gente ainda conversa muito sobre isso e esse é um diálogo que vamos revisitar várias e várias vezes ao longo da vida dela. Como pais, temos que ter bom senso – e sempre respeitar a imagem dela, claro. Mas eu também sou a mãe boba e coruja que quer mostrar a filha, como uma mãe comum que manda foto no grupo da família para mostrar como ela está linda de roupinha nova, por exemplo.

Que tipo de mãe você sonha em ser para a Zuza?

Eu sonho em ser a mãe que olha no olho. Isso é o principal que minha filha precisa. Eu sonho em ser uma referência para ela de força, de persistência, mas, principalmente, quero que ela seja uma criança que tenha sido olhada nos olhos durante toda a vida. E isso quer dizer escuta amor, cuidado, confiança. É um desafio, dentro da minha rotina, espero conseguir parar e olhar no olho da minha filha, para ela entender que eu estarei ali sempre que ela precisar de mim, que estarei sempre ouvindo, entendendo, apoiando.