Juliana Paes festeja volta à Sapucaí, fala de etarismo e sensualidade aos 46

12/02/2026

Por Pyetra Santos, gshow — Rio de Janeiro

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Capa gshow de fevereiro, a atriz estrelou um ensaio na Comunidade do Viradouro, em Niterói, onde a escola de samba do mesmo nome foi criada.

Juliana Paes e Viradouro andam lado a lado. "Cria" de São Gonçalo, município coladinho ao de Niterói, no Rio de Janeiro, a atriz tem boas lembranças dos finais de semana que passava ao som da bateria Furacão Vermelho e Branco na companhia de seu falecido pai, Carlos Henrique.

Agora, de volta ao posto de rainha de bateria da escola após 18 anos, e sendo desde sempre uma das maiores rainhas do Carnaval carioca, Juliana Paes é também a capa gshow de fevereiro.

Como cenário, a atriz escolheu a Comunidade do Viradouro, no bairro de Santa Rosa, em Niterói, onde a escola foi criada na década de 1940.

Sempre tive muito orgulho. Outro dia, peguei uma entrevista antigona falando que morava em São Gonçalo, que tinha morado em Niterói. Sempre falei muito sobre ser de lá. Sair de lá foi um transtorno, foi sofrido para mim! Sempre fui dali e acho que as pessoas que são se sentem representadas.

Em 2004, Juliana estreou como rainha de bateria na Unidos do Viradouro, e reinou à frente da percussão até 2008. Este ano, ela retorna com um motivo para lá de especial: reinar ao lado de Mestre Ciça, o homenageado da escola no Carnaval de 2026.

Sabe quando uma coisa só pode acontecer se isso e isso estiverem encaixados? É além do que a razão pode explicar. É uma conjunção de fatores espirituais, emocionais, a homenagem ao Ciça, o convite partindo dele, o meu momento de vida.

É um sentimento misturado porque é muito inusitado, inesperado. Ao mesmo tempo, estou me sentindo lisonjeada e orgulhosa da escola. Orgulhosa da Viradouro ter tido a coragem de olhar para si, de homenagear as pessoas que estão dentro do seu próprio Carnaval.

 

Receio e inseguranças

 

Quem olha Juliana Paes não imagina que esse mulherão possa ter inseguranças comuns aos pobres mortais. Apesar do convite tocar em um lugar bastante emotivo para ela, o medo veio junto.

Fiquei sem dormir depois da ligação do Ciça. São vários receios juntos. Por mais que seja muito apaixonada... O Carnaval é um projeto, projeto de vida, não é só comparecer a uma festa. Fiquei temerosa, reticente, por várias questões.

Aos 46 anos, a atriz pesou se seria alvo de etarismo e outros tipos de julgamento, e se questionou se ainda era capaz de brilhar à frente de uma bateria.

"Tem também o receio com relação à idade, sim, porque vivemos num mundo que é muito etarista. Tem essa questão de será que dou conta? Será que vão ver isso com bons olhos? Amadurecer é você ir se despedindo do mundo das aparências, desencanando. Mas estar ali na vitrine sendo uma rainha de bateria é voltar pra esse lugar onde o seu corpo vai ser visto, onde a sua entrega vai ser avaliada. Tudo isso fica misturado e aí existe essa insegurança. Será que eu estou disposta a passar por essa sabatina? Todas essas perguntas vêm na cabeça", revelou.

Sensual aos 46 anos?

 

Se Juliana hesitou ao pensar se "ainda tinha idade pra isso", o público na rua, nos ensaios técnicos da Sapucaí e que parou na Comunidade do Viradouro para vê-la de pertinho, segue sem dúvidas em proclamar que ela é uma das mulheres mais bonitas e sensuais do Brasil.

Não era uma questão de se o meu corpo vai estar bonito. Mas no lugar de: será que o meu corpo sensual vai ficar tímido? Será que perdi essa chama? É nesse lugar que a gente se questiona quando vai amadurecendo. Esse rebolar, essa sensualidade. Cuido do meu corpo, sei que ele estaria ok. Minhas dúvidas eram: será que tenho esse fogo? Fogo da sensualidade, do chacra base. Será que eu vou ficar tímida porque agora tenho 46 e uma mulher de quase 47 não rebola mais igual a de 20 e poucos?

— Juliana Paes